Por onde andam as onças-pintadas? GPS ajuda cientistas a mapear corredores em 11 países das Américas

  • 24/10/2026
(Foto: Reprodução)
Onça-pintada filhote na Rerserva Mamirauá Emiliano Ramalho / Instituto Mamirauá Um estudo internacional identificou uma área de cerca de 6,5 milhões de quilômetros quadrados que conecta populações de onças-pintadas em 11 países da América do Sul. A região funciona como uma “espinha dorsal” para a conservação do maior felino das Américas. A pesquisa foi publicada na revista científica Global Change Biology. 📱 Acompanhe o Terra da Gente também no Instagram O trabalho, liderado pelo pesquisador brasileiro Guilherme Costa Alvarenga, do Instituto Mamirauá e da Universidade de Oxford, é a mais abrangente compilação já feita sobre a movimentação da espécie. A pesquisa foi desenvolvida com dados de 86 fêmeas e 86 machos monitorados com colares de GPS, totalizando 231.017 registros de localização. A base reúne animais de diferentes ecossistemas e condições ambientais encontrados ao longo da área de ocorrência da espécie. VEJA TAMBÉM: Socó-boi é flagrado predando filhote de jacaré no Pantanal de Mato Grosso O que existe debaixo das águas do Mar Vermelho? Mergulhadores brasileiros fazem fotos surpreendentes Professor encontra cogumelo 'gigante' em mata de SP; 'parecia uma luminária de jardim' Rede conectada Na América do Sul, o levantamento encontrou uma grande rede conectada envolvendo Llanos, Amazônia, Gran Chaco, Pantanal, Cerrado, Caatinga, e a Mata Atlântica no chamado Corredor Verde, localizado entre Argentina e Brasil. Essa é a maior e mais significativa rede de conexão identificada pelo estudo. Ao todo, os pesquisadores mapearam 307 áreas núcleo, que somam cerca de 7,75 milhões de km², o equivalente a 55% da área atual de distribuição da espécie. Cerca de metade dessa extensão está em áreas protegidas e Terras Indígenas. O estudo também identificou 176 corredores de dispersão entre essas áreas. Isolamento A conexão, no entanto, não é contínua. Estradas, cidades e áreas agrícolas interrompem ou dificultam a passagem dos animais e deixam algumas populações cada vez mais isoladas. No México e na América Central, foram encontradas várias interrupções. Na Mata Atlântica costeira brasileira, as áreas ocupadas pela espécie aparecem amplamente isoladas, tanto da grande rede sul-americana quanto umas das outras. O isolamento das populações reduz a troca genética entre os animais e aumenta a vulnerabilidade da espécie Miguel Monteiro / Instituto Mamirauá Segundo o estudo, maior concentração de pessoas, presença de rebanhos e transformação dos ambientes naturais foram os fatores com efeito negativo mais forte no deslocamento das onças. Já áreas ecologicamente mais produtivas e próximas de rios, lagos e outros corpos d’água se mostraram mais favoráveis. O isolamento reduz o chamado fluxo gênico, a troca de características genéticas entre animais de populações diferentes. Sem ela, os cruzamentos entre indivíduos aparentados aumentam, o que pode reduzir a capacidade de adaptação e favorecer doenças genéticas. “Quando o ambiente natural é reduzido e fragmentado, menos indivíduos conseguem sobreviver naquele espaço. Além disso, sem a possibilidade de se deslocar, os animais passam a se reproduzir apenas dentro do mesmo grupo, aumentando os cruzamentos entre indivíduos aparentados. Ao longo do tempo, isso pode reduzir a capacidade de adaptação da população e favorecer doenças de origem genética. Esse processo já foi identificado em populações de onças-pintadas da Mata Atlântica e da América Central, justamente onde nossos modelos indicam baixa conectividade”, explica Alvarenga. Veja o que é novidade no g1: Agora no g1 Áreas prioritárias Os mapas indicam onde as ações de conservação podem ter maior efeito, seja para proteger populações, evitar que conexões existentes sejam rompidas ou recuperar caminhos degradados. Entre as medidas apontadas estão a restauração de áreas importantes para o deslocamento, o combate à caça e a redução dos conflitos entre pessoas e grandes felinos. Em casos específicos, o estudo cita ainda a translocação ou a reintrodução de animais. A onça-pintada é o maior felino das Américas Emiliano Ramalho / Instituto Mamirauá Em uma segunda análise, os pesquisadores avaliaram especificamente as possíveis conexões entre áreas protegidas e Terras Indígenas. O modelo identificou 507 corredores potenciais entre 905 áreas distribuídas ao longo da ocorrência atual da onça-pintada. Conexões a investigar O estudo também apontou conexões potenciais que precisarão ser verificadas por novas pesquisas em campo. Uma delas poderia ligar a região de Darién, na fronteira entre Panamá e Colômbia, aos Llanos e à Amazônia, passando pela Colômbia e pela Venezuela. Outra possível conexão ligaria o Corredor Verde–Iguaçu, na divisa entre Argentina e Brasil, à Serra do Mar, entre Paraná e São Paulo. Ambas as possibilidades apareceram em apenas um dos modelos e, portanto, devem ser interpretadas com maior cautela. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2026/10/24/por-onde-andam-as-oncas-pintadas-gps-ajuda-cientistas-a-mapear-corredores-em-11-paises-das-americas.ghtml


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