MP denuncia falsos médicos por mortes em hospital na Zona Leste de SP

  • 23/09/2026
(Foto: Reprodução)
Polícia prende falso médico que atuava em hospital particular na Zona Leste de SP O Ministério Público do Estado de São Paulo denunciou nesta quarta-feira (23) dois homens que atuavam como falsos médicos no Hospital de Clínicas Jardim Helena, na Zona Leste de São Paulo. Marcos Phelipe de Barros e Mayke César Silva são acusados de homicídio qualificado com dolo eventual, por terem assumido o risco de matar pacientes ao realizarem atendimentos sem possuir qualquer formação em Medicina. De acordo com a denúncia, os acusados se valeram das identidades e dos registros profissionais dos verdadeiros médicos Nicolas Joseph Della Matta e Mike José do Nascimento Florentino. Utilizando a identificação desses profissionais, os acusados conseguiram ser contratados pelo hospital e passaram a realizar consultas, elaborar diagnósticos, prescrever tratamentos e até executar procedimentos invasivos, como intubações, com o objetivo de receber honorários médicos de forma ilícita. Duas mortes confirmadas A denúncia afirma ainda que a negligência e a imperícia dos dois provocaram a morte de duas pessoas. A primeira delas é Arlindo Francisco de Lucena, de 66 anos, que buscou socorro apresentando um quadro grave de encefalopatia hepática. Laudos do Instituto Médico Legal apontaram que os falsos profissionais não administraram medicamentos básicos, não realizaram os exames laboratoriais necessários e não forneceram o suporte terapêutico adequado, privando o paciente, que estava em estado grave, da assistência médica que poderia ter revertido seu quadro. A segunda vítima, Aurineide Batista da Silva, procurou o hospital apresentando um quadro de insuficiência respiratória aguda e histórico de pneumonia crônica. O atendimento, conduzido por Mayke César Silva, apresentou falhas graves, segundo a denúncia, como o atraso injustificado de mais de uma hora para a realização das intervenções corretas e a ausência da solicitação de exames essenciais, como raio-X de tórax. De acordo com a perícia, a falta de capacitação do atendente contribuiu diretamente para o agravamento do quadro e para a morte da paciente. O promotor de Justiça Rogério Leão Zagallo, autor da denúncia, destacou que os crimes foram cometidos por motivo torpe, caracterizado, neste caso, pela ganância financeira. O Ministério Público pediu à Justiça a prisão preventiva dos dois acusados. O juiz ainda não se manifestou sobre o pedido. Além da prisão preventiva, a Promotoria pediu que a Justiça fixe uma indenização mínima de R$ 200 mil para a família de cada vítima, como forma de reparação. O documento também revela que outras mortes suspeitas de pacientes atendidos pela dupla já foram identificadas e continuarão sob investigação. Relembre o caso Os dois falsos médicos eram responsáveis por cerca de 2.000 atendimentos em dois anos, com nove óbitos decorrentes de mau atendimento, segundo as investigações. 📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia Os farsantes trabalhavam no Hospital de Clínicas Jardim Helena. O falso médico preso é Marcos Phelipe de Barros e usava documentos verdadeiros de um médico chamado Nicolas Joseph Della Matta. A defesa dele chamou a operação de "midiática e injusta". Disse ainda que Barros é biomédico e que o segundo acusado, chamado Mayke César Silva, é instrumentador cirúrgico e que, portanto, ambos poderiam atuar em ambiente hospitalar. Ela nega que eles atuassem como médicos. Sobre o cliente foragido, ela disse que ele vai se entregar. Além de atender no hospital, Marcos foi filmado por policiais há cerca de três semanas atendendo uma paciente na rua e aplicando injeção. Sobre o vídeo em que Marcos aparece aplicando injeção numa mulher, a defesa disse que se trata de uma agulha de insulina e que, portanto, não haveria irregularidade. A segunda fase da Operação "Hipócrates II", conduzida por policiais da delegacia de São Miguel Paulista, tinha como objetivo cumprir sete mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão e dois de prisão convertidos em medidas cautelares. Polícia prende falso médico que atuava em hospital particular na Zona Leste de SP Reprodução/TV Globo O que disse o Cremesp Abaixo, leia a íntegra da nota do Cremesp sobre o falso médico: "O Cremesp informa que o exercício ilegal da Medicina é um caso de polícia, uma vez que a atuação do Conselho se limita a profissionais médicos registrados na Autarquia. O Cremesp, quando identifica, por exemplo, durante fiscalização, que há profissionais se passando por médicos, ou quando o Conselho percebe tentativas de registro com apresentação de documentos falsos, como diplomas, aciona os órgãos competentes, como o Ministério Público e a Polícia. Cabe ressaltar que o Conselho disponibiliza o Guia Médico em seu site, para que empresas médicas e pacientes possam checar se o profissional que o está atendendo é médico e está com registro regular no conselho. Caso a empresa contratante tenha dúvidas em relação ao profissional mesmo após consulta pública ao Guia, ela deverá entrar em contato com o Cremesp pelos canais oficiais." O que disse o hospital Em nota, o hospital informou que ele e sua diretoria "vêm a público repudiar, de forma veemente, quaisquer ilações ou acusações de conluio com a atuação dos indivíduos investigados no âmbito da Operação Hipócrates 2". "A instituição esclarece que foi surpreendida, em junho de 2025, por informações prestadas por autoridades policiais acerca da falsidade ideológica atribuída a um dos dois indivíduos acusados como falsos médicos, no contexto de ação destinada ao cumprimento de mandados de prisão. Registra-se que, na data da operação, os referidos indivíduos não se encontravam nas dependências do hospital. Tão logo tomou ciência dos fatos, a direção do hospital apresentou registro de Boletim de Ocorrência no 22º Distrito Policial (São Miguel Paulista), em 9 de junho de 2025, e proativamente disponibilizou às autoridades competentes a documentação relacionada aos investigados. Em paralelo, a direção do Hospital iniciou sindicância interna para apuração dos fatos. Assim como já reportado em diferentes estabelecimentos médicos e em variadas regiões do Brasil, o hospital foi mais uma vítima da atitude ilegal de indivíduos que atuam irregularmente na profissão médica. Ressalta-se que os indivíduos em questão não integravam o quadro funcional direto da instituição. A contratação ocorreu por intermédio da empresa VHN Clínica Médica Ltda. para a prestação de serviços médicos de pronto socorro, seleção e recrutamento, tendo a responsabilidade de realizar a validação documental dos profissionais prestadores de serviços médicos. Adicionalmente, o Hospital Jardim Helena esclarece informação incorreta divulgada acerca de sua estrutura administrativa: o médico Fábio Neves não exerce, nem exerceu a função de diretor do hospital. O referido profissional é responsável pela empresa terceirizada (VHN) e não representa o hospital. Diante dos fatos, o hospital deu início à implementação de medidas adicionais de governança e controle, em parceria com empresa especializada em soluções tecnológicas, com o objetivo de mitigar riscos e prevenir a ocorrência de fraudes dessa natureza. Com 51 anos de atuação, o Hospital Jardim Helena reitera que permanece à disposição das autoridades competentes, colaborando de boa-fé com as investigações, e reafirma seu compromisso permanente com a legalidade, a ética, a transparência e a segurança assistencial."

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/09/23/mp-denuncia-falsos-medicos-por-mortes-em-hospital-na-zona-leste-de-sp.ghtml


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