Enterrado vivo e abandonado no lixo: cães resgatados superam traumas e ganham novos lares no interior de SP

  • 01/06/2026
(Foto: Reprodução)
Enterrado vivo e abandonado no lixo: cães resgatados superam traumas e ganham novos lares Um recomeço cercado de amor, cuidados veterinários e acolhimento pode transformar a vida de animais vítimas de violência e abandono. Mas será que essa combinação é suficiente para ajudá-los a superar os traumas dos maus-tratos? O g1 conversou com dois tutores de cães resgatados em situações de maus-tratos na região de Itapetininga (SP). Após um período de recuperação, adaptação e muitos cuidados, eles relatam como os pets vivem hoje e as mudanças conquistadas desde o resgate. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Bento e Rodolfinho: cães resgatados de violência e abandono vivem recomeço feliz ao lado de tutores Arquivo pessoal Patrizia Azevedo Dias, moradora de São Paulo, adotou o cão que foi enterrado vivo em setembro de 2021 às margens da Rodovia Antônio Romano Schincariol (SP-127), km 28, entre Tatuí (SP) e Boituva (SP). O animal da raça dachshund recebeu o nome de Menino Bento e uma "nova vida". "Relembrar a história do Bentinho é sempre alegre e triste ao mesmo tempo. Uma história triste que teve um final feliz. Um dia, uma funcionária estava vendo o jornal e passou uma reportagem sobre um cachorro que tinha sido enterrado vivo no interior de São Paulo." Na época, a União Protetora dos Animais (Uipa) de Itapetininga, organização responsável pelo resgate, compartilhou uma foto alertando sobre o caso: o animal estava coberto por terra e foi enterrado entre entulhos na SP-127. Cachorro é encontrado enterrado vivo às margens da SP-127 União Protetora dos Animais (Uipa)/Divulgação "Era um caso bem grave e a imagem da foto me chocou bastante. Aquele ser inocente, inofensivo, tentando sobreviver só com o focinho para o lado de fora, no buraco que ele cavou para poder respirar. Imagina o medo. Eu não gosto de pensar sobre e até me emociono", relata Patrizia. O sofrimento vivivo por Bento ficou no passado. Atualmente, ele vive rodeado de conforto e amor, tem a companhia de Pitoco, outro cão adotado por Patrizia. Segundo ela, os dois animais possuem uma relação de "amor e ódio", pois são grudados, mas vivem se estranhando. "O Bentinho é uma alegria na nossa vida. É super carinhoso. Por onde passa, ele vai até as pessoas e cumprimenta. É um cachorro realmente especial. Ele tem uma mancha nas costas e eu falo que é como uma 'pincelada' de Deus. Ele é o amor da minha vida." Assim que se interessou em adotar o animal na época, Patrizia foi orientada pela Uipa de que o cão precisaria de cuidados especiais, devido aos problemas de saúde causados pelo abandono. Ele passou por um longo processo de recuperação, que fez com que a tutora precisasse até ficar sem trabalhar. "Eu passei um mês sem trabalhar para tomar conta dele. Tudo o que ele comia caía pelo buraco que ficou no pescoço dele. Ele estava muito machucado. Comecei a alimentá-lo com comida pastosa, banana amassada, água de coco, e assim fui indo. Depois, teve que fazer regime para emagrecer de tão gordinho que ficou", relembra a tutora. Cachorro que foi encontrado enterrado vivo é adotado por família da capital de SP Patrizia Azevedo Dias/Arquivo pessoal LEIA TAMBÉM: VÍDEO: tamanduá-bandeira é flagrado carregando filhote nas costas na zona rural de Guareí 'Cãovocação': campanha inspirada na Copa do Mundo busca lar para cães de canil no interior de SP Vira-lata que ganhou ‘casa própria’ recebe lâmpada aquecedora para enfrentar o frio; veja cuidados com pets no inverno Uma das memórias preferidas de Patrizia, daquelas que são criadas no dia a dia com o animalzinho, é o momento em que Bento deita junto dela na cama, amontoando a coberta e se escondendo dentro do buraco criado. "Uma vez, eu procurei ele pela casa toda e fiquei desesperada. Ele tinha entrado entre a parte de cima e de baixo do sofá, e eu não achava ele pela casa e tinha ficado quietinho. Até que eu me sentei e senti ele. Dei até uma bronca", compartilha. Ao g1, a tutora diz que Bento, o cão adotado, é o amor da sua vida Patrizia Azevedo Dias/Arquivo pessoal Relembre o caso Na época, a Uipa apontou que o animal tinha aproximadamente seis anos. Ele foi encontrado por um casal de Itapetininga que passava pelo local e viu a cabeça do cão para fora do buraco. Os moradores disseram que o animal agonizava e, durante o resgate, perceberam os ferimentos no pescoço do cão. Ele foi desenterrado pelo casal e encaminhado ao Ambulatório Municipal, onde recebeu os primeiros socorros e passou por exames. Segundo o boletim de ocorrência registrado, os moradores que encontraram o cachorro viram uma pessoa com uma enxada nas mãos e pararam para verificar a situação. Eles fizeram perguntas ao homem, mas ele colocou a enxada no porta-malas do carro e saiu do local. Logo depois, os moradores encontraram um monte de terra com uma pequena parte da cabeça do cachorro. Três dias depois do registro do boletim de ocorrência, a polícia localizou os suspeitos. Ao g1, o delegado responsável pelo caso, José Luiz Silveira Teixeira, contou que a mulher disse que o marido dela enterrou o cachorro pensando que o animal já estivesse morto. Segundo o relato da mulher à polícia, o animal ficou ferido em uma briga com um pit bull e, por isso, tinha um corte profundo no pescoço. Aos policiais, ela ainda informou que, depois da briga com o pit bull, o casal levou o cachorro ao veterinário, mas, por conta do preço estabelecido para o tratamento, retornou para casa e decidiu enterrar o animal. A organização também informou que o cão passou por uma bateria de exames, que constatou um quadro gravíssimo de desnutrição e que ele havia sido ferido com objetos cortantes. Cachorro enterrado vivo foi resgatado e recebeu atendimento veterinário no Hospital Municipal Pet de Itapetininga (SP) União Protetora do Animais de Itapetininga/Divulgação Após o resgate, Bento passou por vários procedimentos em uma clínica de Botucatu (SP). Em um deles, foi usada parte da pele da pata para enxertar os ferimentos no pescoço, mas o cachorro contraiu uma bactéria e os enxertos não se adaptaram ao corpo do animal. Por isso, foi necessário fazer uma nova cirurgia. Em 2022, o acusado de enterrar o animal vivo passou por audiência e, em 2024, a Justiça manteve a condenação dele e reduziu a pena, a ser paga em prestação devido à condição financeira do acusado. 'Do lixo ao luxo' Cão Rodolfinho foi adotado por Cláudia depois de ter sido abandonado dentro de lixeira em Boituva (SP) Cláudia Montalvão Cacau/Arquivo pessoal Adotado há dois meses, o filhote de pinscher que foi abandonado doente dentro de uma lixeira em Boituva (SP) ganhou um lar. O caso ocorreu em 12 de março deste ano. Na mesma semana, a zootecnista e veterinária Cláudia Montalvão Cacau decidiu adotá-lo. O pequeno pinscher recebeu o nome de Rodolfinho e, hoje, vive ao lado de outros seis animais na casa da tutora. "Após os dois meses, a gente praticamente não sentiu a adaptação. Ele chegou, foi tão bem acolhido que todo aquele sofrimento ficou para trás. Acho que a gente tem o poder de fazer isso desaparecer da memória deles", comenta a tutora. Após ser abandonado doente em lixeira, Pinscher é resgatado e adotado no interior de SP Apesar de pequeno, Rodolfinho é um cachorro corajoso. A tutora conta que ele não tem medo de nada, brinca com todos os objetos da casa, escorrega com pano e pula em cima dos outros cachorros. "A recuperação dele foi total, consegui resolver todos os problemas de saúde dele, está totalmente saudável. Desde o início, a relação dele com os outros animais foi a melhor possível. Eles têm esse sentimento de acolher todos, não teve nenhum problema na adaptação", disse Claudia. Filhote foi encontrado doente dentro de lixeira em Boituva (SP), no dia 12 de março Cláudia Montalvão Cacau/Arquivo pessoal Para Cláudia, Rodolfinho representa sentimentos de paz, alegria e companheirismo. "Eu falo que o Rodolfinho foi um exemplo para muitas pessoas da cidade. As pessoas adoram a história dele, é o animal mais lindo, perfeito e saudável que existe. Eu brinco que ele tem aquela história 'do lixo para o luxo', pode ter certeza", concluiu. Em sua nova casa, Rodolfinho conseguiu recuperar seu bem-estar e, agora, convive com outros seis animais Cláudia Montalvão Cacau/Arquivo pessoal O caso O animal foi resgatado pelo ativista Iran Francisco Bispo, que registrou um boletim de ocorrência em 7 de maio. Segundo Iran, após ser retirado do lixo e levado ao veterinário, o cão passou a expelir vermes, pedaços de esponja de aço e até parafusos. No boletim de ocorrência, Iran afirmou que a mulher suspeita de abandonar o animal comercializava cães da mesma raça sem autorização e em condições inadequadas. Ao g1, ele relembrou o momento em que encontrou o filhote, extremamente pequeno e debilitado, dentro da lixeira. "Confesso que a minha reação ao vir aquele cachorrinho abandonado no lixo foi devastadora. Foi uma sensação muito difícil de explicar: misto de tristeza, revolta e indignação. Naquele momento, a única pergunta que vinha na minha cabeça era: como um ser humano consegue chegar a esse ponto?", questiona. Segundo o protetor, o Pinscher estava com a saúde debilitada, muito magro, chorando e precisando de atendimento veterinário com urgência. Initial plugin text *Colaborou sob supervisão de Larissa Pandori Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/itapetininga-regiao/noticia/2026/06/01/enterrado-vivo-e-abandonado-no-lixo-caes-resgatados-superam-traumas-e-ganham-novos-lares-no-interior-de-sp.ghtml


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