Associação transforma casas vazias no Centro de Campinas em moradia para jovens e mães solo: 'Eles é que vão voar'

  • 16/05/2026
(Foto: Reprodução)
Associação transforma casas vazias em moradia para jovens e mães solo Na Rua Falcão Filho, na região central de Campinas (SP), uma casinha azul de 1947 passou despercebida por anos. Antes vazio, o imóvel foi transformado por uma associação sem fins lucrativos em moradia social para jovens recém-saídos de lares institucionais. Essa não é a primeira empreitada da instituição para ampliar o acesso à moradia. A cerca de 500 metros dali, a Vila Sal, como a casa de 1929 foi nomeada pelos voluntários, abriga hoje quatro mães solo e oito crianças, com idades entre 2 e 13 anos. A ideia partiu de um princípio simples: unir a necessidade de moradia que atinge milhares de famílias à possibilidade de dar um novo propósito a casas vazias ou ociosas de interesse histórico e cultural. E assim foi feito. Isso é o direito à cidade. É essa população vulnerável, de baixa renda, poder acessar o Centro da cidade, que tem emprego, infraestruturas, escola, hospital. [...] Mas não basta só ter o direito à cidade, a gente precisa ter o direito à moradia digna. Uma moradia que é projetada também para atender as necessidades desses jovens, das mães com seus filhos. Fundo Haja! transforma casas vazias em moradia para jovens recém-saídos de abrigos e mães solo Jucielly Machado Almeida 'Uma nova história' Depois de passar por um processo de restauro, o imóvel na Rua Falcão Filho – que recebeu o nome de Casa das Juventudes, ou Casa Caju – perdeu a cor azul desbotada das paredes externas. No lugar, veio uma pintura nova, alaranjada e vibrante. Do lado de dentro, mais mudanças. Paredes, portas e móveis renovados, mas sem deixar de lado a identidade arquitetônica do imóvel dos anos 50. Afinal, quantas histórias já não foram contadas ali em quase 80 anos, e quantas serão contadas nos próximos 80? Danilo Cartaxo tem 22 anos e é um dos jovens que vão chamar a Casa Caju de lar. Sentado em uma das camas do imóvel, ele parece já se sentir em casa e não hesita em dividir com a reportagem os planos para o futuro. Dentro dele, algo também mudou. "Eu sou uma pessoa que quer crescer na vida. Tenho o sonho de vender apartamento, um dia vender carro, só que estou começando agora. Estou querendo me desenvolver nessa área de vendas mesmo. Meu objetivo é que, como eu tenho essa casa agora, esse apoio, esse suporte, eu possa estudar o máximo possível para ingressar nessa área de vendas", conta. Danilo foi afastado da família biológica ainda na infância e cresceu em abrigos. Ao completar 18 anos, precisou deixar o acolhimento institucional e decidiu participar da Escola de Restauro promovida pela associação. Foi lá que recebeu capacitação profissional na área da construção civil e conheceu o projeto da Casa Caju. "O meu sentimento, primeiro, é de gratidão. De ver que tem gente ali pensando nessas pessoas que não tiveram as mesmas oportunidades que outras e construindo um projeto que pode dar para a pessoa uma nova história. Um novo começo, podendo fazer desse projeto não só uma forma de ajudar a gente, mas também ajudar a sociedade, porque muitos imóveis estão aqui no Centro, mas não têm utilidade para nada", diz. Danilo Cartaxo, de 22 anos, é um dos moradores da Casa Caju, em Campinas (SP) Ricardo Lima Alçando voos Para que os moradores possam reconstruir a vida, a associação oferece aluguel social, subsidiado por dois anos pela Fundação FEAC. Nas casas restauradas, os jovens também encontram apoio para ingressar no mercado de trabalho, incentivo aos estudos e oportunidades de capacitação profissional. Fundado em 2021, o Fundo Haja! reúne profissionais de diferentes áreas do conhecimento — entre elas arquitetura, engenharia, direito, comunicação, assistência social e psicologia — em torno da proposta de transformar imóveis vazios em espaços de recomeço. "A gente atua numa área que tem uma lacuna de política pública habitacional. Não existe política pública de locação social no Brasil e nem política pública para restauro de imóveis vazios. Só para você ter uma ideia, o Centro de Campinas inteiro tem 54 mil imóveis vazios. E esse é o nosso segundo imóvel", detalha a arquiteta Vanessa Bello. A aquisição dos imóveis é financiada por uma rede de apoio formada por doações, investidores sociais, recursos da Fundação FEAC, anuidades dos associados, eventos, produtos solidários e aplicações financeiras. Voluntária do projeto, Águeda Bittencourt explica que os jovens selecionados para morar na Casa Caju precisavam ter alguma fonte de renda como pré-requisito. Mais do que oferecer abrigo, a iniciativa busca criar condições para que eles construam autonomia e projetem o próprio futuro. "A ideia é uma casa digna, completa, onde eles se sintam bem e se construam como cidadãos autônomos, mas o Haja não tem, por exemplo, alimentação. [...] O Haja está recebendo jovens que estão se construindo para serem autônomos. [...] A gente vai ficar perto, vai cuidar, mas eles é que vão voar. Essa é a nossa proposta", destaca. Initial plugin text *Estagiária sob supervisão. VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região Veja mais notícias sobre a região no g1 Campinas

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2026/05/16/associacao-transforma-casas-vazias-no-centro-de-campinas-em-moradia-para-jovens-e-maes-solo-eles-e-que-vao-voar.ghtml


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